A Transitar: A Época de Eclipses

Lua, Sol e Nodos dançam no eixo Virgem-Peixes

ASTROLOGIA

9/7/20253 min ler

Gosto de eclipses. Acho que foi uma coisa que me ficou desde aquela vez em que, na escola primária, a professora nos levou para o pátio do recreio, cada um com o seu vidrinho fumado, para olharmos para o Sol a eclipsar-se “sem fazer mal à vista”. Aquilo foi-nos apresentado como um fenómeno extremamente raro (e se calhar era porque, embora tenhamos sempre quatro eclipses garantidos todos os anos, nem sempre são visíveis e ainda mais raramente o são assim em pleno dia, espreitando por um vidrinho fumado). O que é certo é que me ficou muito mais a recordação da excitação pela expectativa de ver o eclipse do que a imagem do que quer que seja que tenha realmente visto através do dito vidrinho.

Estava longe de saber então que os eclipses se formam pelo alinhamento do Sol e da Lua com os Nodos Lunares e que funcionam como ponteiros sincronizados e simétricos que giram no sentido horário (contra o movimento directo dos planetas) sobre a roda do Zodíaco, marcando simbolicamente o compasso da evolução da consciência individual e colectiva através do tempo. Os Nodos mudam de signo mais ou menos a cada dezoito meses e temos tipicamente três épocas de eclipses em cada eixo. Neste eixo Virgem-Peixes em que se encontram agora (desde Janeiro e até Julho do ano que vem) esta é a segunda época e a única com o Sol em Virgem, conjunto ao Nodo Sul. Em Setembro de 2024 também tivemos um eclipse com os luminares neste eixo mas os Nodos estavam ainda em Balança-Carneiro.

A época de eclipses facilita amiúde o precipitar de acontecimentos e de tomadas de decisão ou de consciência, acelerando processos internos e externos, a nível individual e colectivo. Quando o eclipse é lunar, coincidindo com a Lua Cheia (como acontece neste que está a decorrer precisamente agora) o convite é para libertar o que já não nos serve. Como o Sol está em Virgem, coloca o seu foco ainda mais em processos de limpeza e de desintoxicação. Esta pode ser mesmo literal, no plano físico: no corpo, na casa. Mas também pode ser uma limpeza nas nossas crenças, hábitos, rotinas, relacionamentos, trabalho, etc. Vai depender muito das casas que são activadas em cada mapa natal. Convida-nos também a libertar as ilusões piscianas (é a Lua que se "esconde" em Peixes), a auto-comiseração, a vitimização e as desculpas e assumir o Sol que brilha em Virgem, auto-disciplinado, abnegado e eficiente.

Para o colectivo há uma oportunidade excelente de purga energética (que muita falta nos faz, diga-se de passagem) preparando-nos para um Inverno que se intui vir a ser desafiante. Lembremo-nos que Virgem é também o signo da “formiguinha trabalhadeira” que diligentemente armazena provisões e tende a procurar sempre a eficácia e o aperfeiçoamento, prestando um serviço invisível mas de inestimável valor. Podemos observar esta simbologia aplicada quer à nossa própria busca de eficácia, nos hábitos e rotinas que cultivamos, revendo se estes estão alinhados com a actual versão de nós mesmos, quer aos processos aceites no colectivo, questionando a sua adequação a um mundo que transita inexoravelmente e cada vez de forma mais evidente. O Sol está conjunto ao Nodo Sul que, entre outras coisas, representa o que é antigo, a ancestralidade, as crenças enraizadas, os hábitos automatizados, a zona de conforto e o chamado karma. Estes temas são iluminados pelo astro-rei para que deles mantenhamos só o que se adequa ao momento presente e à jornada que temos em frente e nos desapeguemos do resto.

A presente temporada de eclipses, que começou já na primeira Lua Nova de Virgem, no final de Agosto, entendendo-se por mais de um mês, é como que uma varredura à consciência colectiva, propondo-nos limpar mais umas boas pazadas de “lixo” no plano mental da humanidade (Virgem é regida por Mercúrio que até se encontra domiciliado neste período e portanto em pleno uso de todas as suas qualidades de analista ágil e eficaz), desempoeirando-a de crenças limitadoras que têm criado pelos milénios mais e mais caos na matéria. E reorganizando, arrumando e preparando o espaço, para o que se quiser criar a partir daqui. Mas sobre criação e inícios falaremos na próxima parte, mais perto do eclipse solar de dia 21.

Bons trânsitos!